Mário Vilela conta em entrevista como foi sua atuação na Seinfra

Um dos técnicos mais importantes da vida pública de Maguito Vilela, Mário, que leva o mesmo sobrenome, mas não é parente do prefeito, assumiu a Secretaria de Infraestrutura de Aparecida (Seinfra) ao longo desses últimos oito anos de mandato do atual prefeito e foi convidado a permanecer no cargo por Gustavo Mendanha.

O resultado dessa parceria funcional entre Maguito e Mario Vilela, foram as grandes transformações na a cidade. As obras foram inúmeras, algumas de grande importância para requalificar o município como um dos melhores municípios para se investir e morar, tanto que hoje, grandes empresas mundiais estão procurando a prefeitura para implantar novas indústrias, afirma o secretário.

Em seu gabinete Mário Vilela nos recebeu para essa entrevista onde relatou os principais fatos de sua administração frente à Secretaria. Experiente na gestão de obras públicas, na entrevista ele opina sobre concessões (Odebrecht e Saneago) aconselha o jovem prefeito recém-eleito Gustavo Mendanha (PMDB) e conta porque foi – até onde se sabe – o único secretário da atual gestão a ser convidado antecipadamente a permanecer no cargo.

 

Como o senhor pegou a Seinfra e como ela está hoje?

Nós tivemos um início de gestão difícil. As ruas estavam bastante esburacadas e como todos sabem, um percentual muito grande de bairros tinha que ser asfaltados. Inicialmente tivemos que atuar bastante no asfaltamento total ou parcial de cerca de 15 bairros e fazer uma programação para que, a partir de 2010 até 2016, recapeássemos mais de 300 Km das ruas e avenidas. Tanto que nossas vias estão em bom estado de conservação. Claro que o asfalto não é infinito, as chuvas danificam. Para se ter ideia, em função da demanda que existia no inicio de nossa gestão, nós tínhamos dez equipes de tapa-buraco, hoje só precisamos de quatro. O asfalto hoje é de excelente qualidade e nossa conservação tem sido eficiente. Com relação aos bairros que ainda faltam, ou não foram asfaltados, nós temos uma demanda de falta de água, isso nos impediu, em alguns casos, de prosseguir com o asfaltamento. Já fizemos algumas reuniões com a Saneago já pensando na futura gestão, mas estamos aí com alguns impasses com relação a esses bairros que precisam ser asfaltados.

 

A prefeitura deveria municipalizar a questão da água?

Não. Não porque toda água que vem para Aparecida, vem do sistema Saneago. No futuro, todos os poços serão desativados e passará para o sistema João Leite. A Saneago já tem um belo projeto para atender 100% de Aparecida.

 

Então o senhor é contrário a essa municipalização?

Nós temos que tocar um projeto pronto, só que tem que organizar esse entrosamento com a Saneago. Não que nós tenhamos problemas com a Saneago, a empresa está deixando a desejar com Aparecida.

 

Os municípios maiores como Goiânia, Aparecida, Anápolis, são os que mantêm a Saneago. Nessas cidades a empresa é superavitária, já as maiorias dos outros municípios dão prejuízo. O que deveria ser feito?

Ela tem que organizar. A Saneago é uma grande empresa, comum corpo técnico brilhante, mas com a Operação Decantação disparada pela Polícia Federal (PF), foram envolvidos muitas pessoas, inclusive amigos meus que foram envolvidos de graça nessa Operação sem que nada devessem.

Acho que teria que haver uma organização na Saneago de modo que ela volte a ser a grande Saneago, digo em relação à Aparecida. Nós temos vários contratos por fazer, contratos de redes, por exemplo: os bairros Vila Oliveira, Pontal Sul, Jardim Miramar e outros que não têm redes de água. Temos que terminar esses bairros e asfaltar. Por isso que tem que haver um entrosamento melhor entre a empresa e a prefeitura. O sistema João Leite está terminando e é um grande sistema. Temos aí os chamados “linhões” que vem pela região Oeste que vai abastecer Aparecida inteira. Temos que terminar isso e consolidar o asfaltamento de Aparecida.

 

No caso do esgoto, como o senhor vê a concessão feita à Odebrecht?

Está atrasada e precisamos agilizar isso. No princípio não eu era favorável a essa concessão, mas como já aconteceu, e isso é sem volta.

Nós fizemos uma visita a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Santo Antônio e ela está bastante adiantada. É um sistema que tem que ser consolidado. Regiões como Santa Luzia, Vila Maria, tem rede, mas não foram ligada ainda. Não tem lógica um bairro como o Garavelo não ter esgoto ainda. Já no inicio do governo, quando éramos contrários a esse modelo de gestão, Maguito me disse que não tinha jeito, “temos que passar isso para a iniciativa privada para ser feito de forma mais rápida”, decidiu o prefeito. Estamos aguardando uma melhor atuação da Odebrecht.

 

A prefeitura tem poder fiscalizador sobre a Odebrecht nessa questão?
Nós temos um contrato com a Saneago e uma supervisão que é feita pela ASA (Agência de Saneamento de Aparecida).

A Brookfield comprou 70% da Odebrecht Ambiental, com isso foi junto o pacote da concessão de esgoto de Aparecida. Isso poderá atrapalhar ou melhorar os serviços prestados na cidade por essa nova empresa?

Eu acho que melhora porque muda até o nome.

 

O que esperar de Gustavo Mendanha com relação às obras de Aparecida levando-se em conta ser ele um futuro prefeito, jovem com experiência no Legislativo, mas que não passou pelo processo Administrativo?

Gustavo será um grande prefeito, não tenho dúvidas. Ele conhece Aparecida como ninguém, conhece todos os problemas da cidade e está procurando se cercar de pessoas maduras, eu o tenho acompanhado nesse sentido. Aparecida vai ter um saldo bom com Gustavo, não haverá descontinuidade de administração na parte de obras físicas. Ele tem uma visão muito atualizada e viaja muito pelo mundo. Agora mesmo esteve em Barcelona onde participou de um grande evento sobre cidades inteligentes e trouxe de lá, ideias inovadoras. É um jovem que tem tudo para ser um grande prefeito. Não só um grande prefeito, mas um futuro brilhante na política.

 

A cidade precisa ser embelezada, o que fazer para tornar a cidade mais bonita?

Já melhoramos muito. Vamos ser francos, temos Aparecida antes e Aparecida depois de Maguito Vilela. Muitas praças foram feitas, inúmeros bairros asfaltados, UPAs, Cmeis, os eixos estruturantes e agora com a construção desse novo hospital a cidade toma outra dimensão, são grandes obras. Um exemplo é o Garavelo, onde tínhamos lá uma erosão absurda que estava acabando com o bairro, nós resolvemos aquela questão com uma obra de grande porte que é o Parque Tamanduá que custou mais de R$ 20 milhões. Agora precisamos avançar sobre a questão dos fundos de vale (erosões nos mananciais aquíferos da cidade). Isso é um projeto muito grande e deverá ter o apoio do Governo Federal por ser um projeto bilionário, é muito grande.

 

Hoje o grande desafio é esta questão, a canalização desses fundos de vale. São obras muito caras?
Para vencer esse desafio seriam necessários bilhões de reais, como eu disse, só na nascente do Tamanduá gastamos mais de R$ 20 milhões. Onde você olhar no mapa da cidade – essas partes em verde – são áreas que precisam ser tratadas. Hoje nos estamos atuando na rede de proteção marginal desses mananciais fazendo lançamentos correto das águas pluviais captadas; de forma conveniente e fazendo proteções marginais para os ribeirões.

 

A Seinfra possui equipe estruturada para fazer esse trabalho de contenção das erosões, a produção de gabiões por exemplo. (Bloco de pedras embalado por tela de aço)?

Temos uma diretoria de obras, mas isso pode ser melhorado, pode ser até terceirizado. Para a próxima gestão iremos aumentar o número dessas equipes. Agora, a justiça também tem que ajudar porque toda pessoa que adquire essas áreas de risco, vai ao Ministério Público (MP) e nos aciona com a obrigação de resolver essa questão da erosão. Essas pessoas também devem ajudar a preservar. Compare com Goiânia, córrego Cascavel, Capim Puba, Vaca Brava, todos são canalizados. Qual córrego de Aparecida é canalizado? Ainda não temos nenhum canal. O que temos que fazer é preservar.

 

Qual o balaço que o senhor faz frente à secretaria durante esses oito anos?

O balanço é positivo, asfaltamos 115 bairros, fizemos 300 Km de recapeamento, atuamos nessa mega erosão, a do Garavelo, várias pontes como a da Avenida São Paulo foram feitas ou recuperadas, os eixos estruturantes, enfim, várias obras, uma infinidade de obras.

 

De todas as obras que o senhor executou, qual seria a mais importante?

É difícil dizer uma. Gostaria de elencar quatro grandes obras: o asfaltamento dos 115 bairros, é um número muito grande; esses eixos estruturantes; a recuperação do Tamanduá que é uma grande obra e o recapeamento dos 300 Km de ruas e avenidas da cidade.

 

De antemão, o senhor foi o único secretário convidado pelo prefeito eleito Gustavo Mendanha para continuar na pasta, por quê?

Esse anúncio depende do prefeito. Ele ainda não anunciou. Extraoficialmente fomos convidados. Agora outros secretários deverão permanecer, eu creio. Todos são muito competentes. Nós temos uma afinidade muito grande, eu o Gustavo e o Leo Mendanha, mas modéstia à parte, o trabalho que fizemos nesses últimos anos pesou muito. Nunca tivemos atrito na gestão da pasta, sempre tivemos uma excelente convivência com todos os vereadores e colegas secretários, com os funcionários da Infraestrutura. Certamente isso pesou na decisão do Gustavo. No início eu não queria continuar, mas me senti honrado pelo convite e apesar dos 70 anos, vamos continuar contribuindo. Estou bem de saúde e entendo que a obrigação do homem é ajudar a sociedade.