A Conciliação de Renan Calheiros

Tire desse discurso acima toda a canalhice de Renan ou de qualquer membro do Legislativo; de Dias Toffoli, com sua subserviência e “notório saber” e demais membros do Judiciário com suas inúmeras aberrações (venda de sentenças e ações persecutórias); de Dilma Rousseff toda sua incomPTência e dos demais membros, do Executivo, o fisiologismo pelo poder, a justiça precisa resolver crises constitucionais de forma moderadora. Mesmo porque a Constituição jamais será universalizada do ponto de vista de seu alcance pretendido. Esses tempos modernos e crimes cibernéticos são a prova disso. A lei não está acompanhando essa “evolução moral”.
Conciliação: foi o que fez a Suprema Corte ao dar a Renan o direito de permanecer no cargo, mas sem a possibilidade de assumir a presidência da república. Os detratores chamaram o acordo de “jeitinho” – aquela velha expressão que delimita nosso caráter quanto brasileiros. Mas quem vai lucrar com a confusão e desgaste gerados por Dias Toffoli? Lógico, a plateia que quer pão e circo.
Esse pensamento a priori, acovardado, mas que ao cabo, quer dizer que é preciso ter coragem para resignar-se frente à crise institucional aberta por Dias Toffoli – sim foi ele, em seu notório saber, o provedor da desgraça quando; usando de suas prerrogativas de ministro, pediu vistas do caso Renan, com isso mergulhou as instituições em mais um vazio de opiniões que alimenta a crise institucional entre os três poderes. Coube ao decano Celso de Mello, a saída pela novidade de uma nova jurisprudência que só era utilizada em casos de pequena monta para desafogar a abarrotada justiça: a Conciliação.
Aos especuladores, coube a desintegração em redes sociais da decisão do STF ao acusarem o Supremo de estar beijando a lona. Idiotas, eles se esquecem de que os poderes devem ser mediadores entre si, foi o que escreveu Montesquieu no seu Espírito das Leis, do qual somos signatários, ainda que de forma imaginária.
Quando o ruim está pior e não há remédio, a solução é remediar com panos quentes. Essas compressas ajudam a amenizar a dor, já que a doença não tem cura.

Waldemar Rêgo – jornalista.
waldemarregojr@gmail.com